22.10.19
nervos de laço
calo
tudo que dentro grita
calo
fruto que o pé aperta
passo
tudo em que mim agita
passo
rumo em mim que acerta
laço
todos os sonhos em fita
laço
mais colorida aberta
30.9.19
vaga
vaga
pra ser preenchida
elucidada
vaga
pra escolher o caminho
ser encontrada
vaga
pro carro
trabalho
pra caixa
vaga
que precisa
imprecisa
vaga
pra ser preenchida
elucidada
vaga
pra escolher o caminho
ser encontrada
vaga
pro carro
trabalho
pra caixa
vaga
que precisa
imprecisa
vaga
24.9.19
DIANTES
Lembrança
própria ou do narrado?
O medo, o
espanto, o novo ao redor dos atos:
acordar, os
espaços da escola, as outras crianças.
Não eram os
iguais, eram os diferentes, desde sempre.
Eles dormiam
tranquilos.
Seus olhos
abertos querendo conversar.
Sempre acordada
para ouvir.
No filho a
angustia para que durma, desligue do mundo,
se conecte com o
além, com o íntimo,
com o mesmo
mundo que ficou pra trás, ficou de fora,
e irradia pela
janela,
em pios, aromas,
gargalhadas.
Nas lembranças
não existem muitas risadas,
se sobrepõem os
silêncios.
E as conversas
inteligíveis.
O filho começa a
falar,
quer comunicar
tudo que pensa e vê.
Tudo que lembra.
É a vez dos
verbos,
primeiro vieram
os sujeitos, substância dos acontecimentos.
Seres, antes
mesmo de serem.
A lembrança vem
estática, imóvel, fotográfica.
Apenas o som se
move.
E seu olhar
panorâmico.
Olha pra dentro.
Pro sono do filho.
Que criança é
essa? Não existe criança, parece que nunca existiu.
Sempre foi a
mesma.
Nostálgica.
E insone.
10.9.19
ANTI
anti doto
dots
três
...
ponta solta
fio a tecer
tecido linha por linha
pontos ligados
elétrons
sinapses
sinopse de nova obra
novo ser
inf anti
contra placenta
contra o canal
contra o silêncio
favoração em contração
excl !
ruptura
.
travessão
travessia
o começo
e tudo de novo
respiro
;
dots
três
...
ponta solta
fio a tecer
tecido linha por linha
pontos ligados
elétrons
sinapses
sinopse de nova obra
novo ser
inf anti
contra placenta
contra o canal
contra o silêncio
favoração em contração
excl !
ruptura
.
travessão
travessia
o começo
e tudo de novo
respiro
;
25.8.18
A primeira translação
Você surgiu com astros terrenos, de virgem, mas com ascendência selvagem, no sagitário, também daquela que meio bicho te paria e meio humana se perguntava se tava tudo bem com você...
Estava tudo bem. Cada curvinha, cada pedacinho... Tudo inteiro, tudo macio, tudo encaixado... Chegou se encaixando em meus braços, com a "pega perfeita" querendo mamar. Como todo recém-nascido, só entendia os cheiros, o colo, o acalanto, o alimento.
E eu entendi essa troca. Nos entocamos. Foi um puerpério invernal, mas teve sol, teve visitas, teve a caverna cinematográfica do cinematerna e dali começaram também a ter frestas para outras saídas, começamos a sair da toca...
Eu te levava pra passear? Ou você me levava? Ou às vezes eu me levava e você ia junto também, porque eu precisava ficar sozinha às vezes pra entender toda essa revolução astral que é se tornar mãe. E você podia ficar ali, no balanço do carrinho, em seu movimento, observando árvores, ouvindo pássaros, olhando o céu... E eu podia olhar pra frente e descansar um pouco do olhar pra você...
Mas era intenso, e quando você dormia eu sentia saudade, eu queria mais.
Florescemos nossa nova condição e chegou a primavera.
Novos frutos, novos desafios, novos passos, cada vez mais longe...
Você começou a sorrir, a cantar, a dançar com as mãos, a pegar o pé... Você passou a fazer parte da nossa vida e começamos a te apresentar a ela. Nós recebemos os amigos com sua presença, nós viajamos, nós mergulhamos em museus de tantos tempos e espaços, nós compartilhamos experiências com outros bebês nos cafés da tarde na Lumos, nos aventuramos com a Tê e a Nena, começamos a descobrir nossa solidão em estarmos sós, conhecemos o tédio, o cansaço, as noites de êxtase e exaustão, todos esses novos desafios semeados.
Raiou a nova vida, o verão ia chegando, as festas, as comemorações, (meu natal, o natal de todos, o ano novo...).
Você, ainda tão novo, ainda em experimentações e já conheceria um ano novo?
Mas tudo era novo, cada dia era uma surpresa que fazia seu olhar brilhar. Agora com foco, agora com gana, agora com gargalhada, com choro intenso, com fome, com ardor, com calor, com brilho, com vida!
O verão seguiu com passeios, um tempo excepcional, diferente da rotina, que você ainda nem sabia o que era e viria a conhecer...
Sua nova pediatra nos ensinou a te ensinar um cotidiano, era importante, pra dormir, se alimentar, brincar, descansar.
O verão ia acabar, o carnaval ia passar e o ano, enfim (?) começar. Um conceito que ainda falta muito pra você assimilar.
Meio ano com você, eu estava entendendo mais a nova vida e já via como seria possível te incluir na "velha", aquela que nunca voltará, pois nada será como antes.
Nem pra você. Agora você começou a conhecer sabores. Você pode degustar as cores, formas e texturas que o cercam. Não apenas lambidas e mordidas em brinquedos, mas sorver e engolir doçuras, azedumes, amarguras, picâncias... Mas nunca sapos! Não os engula, cuspa, sem dó, como você faz quando já está satisfeito e eu ainda não entendi.
E você estava pronto pra mais, muito mais, eu desconfiei que ia gostar da escola e você se adaptou rápido. Nos adaptamos bem na nova rotina. Nosso tempo junto perdeu quantidade e ganhou qualidade.
Um outono de muita maturidade: estocando conhecimento, experiência, aprendizados, histórias, as primeiras viroses e noites de respiração difícil, e nos preparando para voltar ao inverno...
Aquele de quando você nasceu, mas agora com uma nova pessoa, uma que já conhece muito mais do mundo e vai atrás daquilo que quer.
O céu continua sendo o limite e ele testemunhará a comemoração desses seus 365 dias ao redor do sol, pelas luas crescentes, novas, minguantes e cheias e tantas estrelas iluminando ao redor!
Aquele de quando você nasceu, mas agora com uma nova pessoa, uma que já conhece muito mais do mundo e vai atrás daquilo que quer.
O céu continua sendo o limite e ele testemunhará a comemoração desses seus 365 dias ao redor do sol, pelas luas crescentes, novas, minguantes e cheias e tantas estrelas iluminando ao redor!
5.5.17
lua crescente
.você está aqui todo dia
a cada hora uma nova lembrança
em formato de balanços, cambalhotas, piruetas
reviravolta em minha vida
é pra sempre
em toda ansiedade e serenidade contida nesse tempo e espaço
eternidade em que um sentimento cabe e pulsa mais que todos:
amor bruto, puro,
amor incondicional, infinito...
crescente.
24.4.17
dobrada
Você se descobre entre quatro paredes
meu mundo se recolhe e se adapta ao seu tamanho
Na expiração, às vezes busco fôlego para nós
e me assusto
Não sei mais por onde caber
E a busca de espaço agora é pra dois
Aperto
Mas desenlaçada e dobrada em força e amor
10.4.17
tocada
se movimentando numa tranquilidade outonal;
as seguintes foram como brisas, um toque invisível,
de uma presença delicada e incerta;
de uma presença delicada e incerta;
até que começaram as certezas:
a existência está deixando de ser silenciosa - se faz presente
na proeminência do tamanho e nos gestos sentidos.
na proeminência do tamanho e nos gestos sentidos.
Me sinto tocada pela relação tão íntima,
um toque já cotidiano e que diariamente me aquece.
Hibernaremos num inverno incubando amor.
Para então desabrochar num sentimento já conhecido,
mas numa relação totalmente nova.
mas numa relação totalmente nova.
Raízes e brotos, crescendo pra dentro e pra fora:
você florescendo menino, eu renascendo mãe.
você florescendo menino, eu renascendo mãe.
7.3.17
gestação
mãos e pernas que ainda não me alcançam
mas já me tocam
praticam gestos, passos, saltos e mergulhos
o mergulho agora está ao lado do meu coração
e bate em dobro aqui dentro
compassos tranquilos, animados
em construção
como todos os pedacinhos, afetos, relações
dia a dia a se formar
até partir...
pra podermos nos encontrar.
21.12.16
lavra-livre-livro
palavrando terras
e semeando finais felizes
eras e vezes e quantos capítulos puderem florescer!
10.11.16
pedacinha
A maturidade me levou a ser pedaços.
Tantas partes que se foram. Tantos apartes.
As peças que se encaixaram, se desencaixaram, foram encaixotadas.
Me sinto um pedacinho de gente.
Um coração e uma cabeça pulsantes.
Em plenos pulmões
e ares rarefeitos.
Um quebra-cabeça de mim mesma.
Onde me encaixo, me conecto, em que me ligo...
Mão pra dar - cumprimentos, apoios, pazes, parcerias, na cara.
Pé - pra fora, na bunda, na estrada.
Ombros - que me dão com as costas, ou para recostar.
E os miúdos.
De dentro. Entranhas, estranhas. Que filtram a bílis ou a engolem a seco
Despedaçada e íntegra, em construção sempre.
Sou a mesma, e nunca igual, sempre em busca e incompleta.
Que estará por vir pra me somar e me diminuir e multiplicar e subdividir.
Em que pólos se reunirão todos esses átomos? Pra onde irão até explodirem?
11.10.16
desacordo
acordo comovida mas paralisada
a vida se encrespa um pouco mais
preciso dar corda aos projetos
sem me enforcar
sufoco
golpe na boca do estômago
rarefeita
tudo está lá
remoendo, revirando, revoltando
em sua óbita
o mundo também gira
haverá outro amanhecer
22.6.16
tempos rareados
Porque quando eu escrevia menos
as palavras me afogavam
dava tempo de pensar, sentir
e tudo isso ansiar pelo transbordamento em frases, versos, mirantes...
Agora não dá mais.
Um mínimo lampejo de poesia, uma faísca de criatividade e tudo é absorvido...
Textos, roteiros, artigos, posts, emails, mensagens em celular...
Não há tempo de maturar nada.
Aturamos tudo.
Ou ignoramos.
Tempos ignorantes.
Áridos.
El niño se foi. Ficou esse senhor sisudo.
Não aquece mais, não chove, não brilha, não floresce, não deságua, não muda em novas estações.
Mas eu espero.
15.2.16
temporal
o mundo cai
e desliza sobre minha janela
escorrendo sobre a terra
e acalmando as lavas do centro de tudo
23.11.15
rar e-feito
a-hora ar-ido
sem-e-ar
des... erto
erdo
ejo
plan-(t)ar
muda
mudo
dança
uma nova primavera
vem e vai
inspira expira adentra
ar
19.8.15
em obras
calejo a mão sem largar a enxada
foi-se a força, mas ainda há martelo
martelo mesmo que não arremate
e mesmo pregada com as marretadas
na busca encontro outras ferramentas
31.7.15
26.6.15
cor ações preto no branco
a cor reta
são várias
e curvas
reluzem com gosto de mel
e explodem entre sóis e chuvas
"um dia de sol é tão belo quanto um dia de chuva
ambos existem
cada um como é"
F Pessoa
e explodem entre sóis e chuvas
"um dia de sol é tão belo quanto um dia de chuva
ambos existem
cada um como é"
F Pessoa
19.6.15
f-rio em (t)riste
frágil rio
escorrendo nas faces.
denso suspiro
que sai e se vê pelo ar.
passos em quebrantos
de folhas em folhas.
manhã de melancolia invernal
congelando pensamentos
mas refrescando o coração.
3.6.15
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