4.6.13
amatemática
devolvam meus sonhos
os dividi tanto
não me sobrou nenhum
nem mesmo pra chorar a perda
devolvam meu choro
que o que está preso encarcera tudo
dessa vez dividam comigo
sem me sub-traírem no caminho
serei fiel à soma
serei mais do que estou
desconfigurada no encolhimento
e fora de minha própria geometria
24.5.13
16.5.13
falta de ar
respirando fundo pra tentar soprar a dor
pra ela ir embora ou pelo menos parar de arder
haverá ar suficiente?
(rumo a um inverno com árvores desfolhadas e pétalas caídas no chão)
11.5.13
.de existência.
de-existir
o outro dentro de mim
escolhendo caminhos
que meus passos vão ter que seguir...
6.5.13
. pesar .
Acabou-se a leveza.
Ela estoura como uma bolha no ar
e escorre espessa como uma gota de chuva
mas que não pode vencer o ar seco.
A lágrima seca antes de cair
e a saliva ausente para qualquer palavra. A garganta arranha
num ruído que impede o grito.
Tudo em suspenso.
Talvez o nublado indique a chuva.
Talvez lave a alma e indique a bonança. Talvez tudo se torne mais denso, mas vivo.
A aridez desse deserto é uma fruta fora de época,
de gosto amargo amarrando a boca.
Talvez se acorde do pesadelo que não deixa dormir.
Talvez os barulhos dos pingos confortem como um dormir abraçado e protegido.
Talvez a gente dance molhado
como crianças sem medo do amanhã.
como crianças sem medo do amanhã.
Talvez...
26.4.13
17.4.13
vice-versus
Queria me esparramar em todas minhas qualidades e defeitos e
mesmo assim caber no mundo.
Queria sair fora da casinha e encontrar meu doce lar.
Queria que o de dentro alcançasse as pessoas.
Às vezes tão inadequadra.
Desenquadrada.
Fora do foco.
Mas mesmo assim:
no ar...
Mas mesmo assim:
no ar...
22.3.13
15.3.13
11.3.13
21.2.13
meios para a plenitude
meia lua crescente no céu
meia noite badalada no relógio
meia luz tremeluzente no quarto
meia boca nos lábios
em meios sorrisos
olhos meio abertos
se inteirando de meu ser pela metade...
15.2.13
romantidade
sem arroubos
madura e segura
na mão quente e firme
clareza leve e solta
em firmamento de paixão
8.2.13
abs
te traio
no extrato
que sorvo
e sinto
surda
e soluta
te abstraio
no abstrato
que absorvo
e absinto
absurda
e absoluta
30.1.13
"sabiá lá na gaiola fez um buraquinho, voou, voou, voou..."
pensamentos em expansão no horizonte das montanhas...
se expande e se dilui confortável, sem amarras...
de volta à "casinha", falta espaço, eles se embaralham e leva tempo para assentar.
o bom é que na reorganização sempre há pensamentos velhos e menos úteis que são descartados liberando espaço.
23.1.13
20.1.13
10.1.13
DDA de DDD
me atendam
ao toque
aos sinais
aos sentidos
alarmados
silenciosos
vibrantes
mudos
em chamados perdidos
escondidos na curva
em desalinho
cruzados
e salvem meu estoque
desse déficit de atenção.
ao toque
aos sinais
aos sentidos
alarmados
silenciosos
vibrantes
mudos
em chamados perdidos
escondidos na curva
em desalinho
cruzados
e salvem meu estoque
desse déficit de atenção.
20.12.12
sentimentos répteis
crocodilo afogado em lágrimas
com coração de pedras perfurado
transbordando o vazio do peito
com coração de pedras perfurado
transbordando o vazio do peito
17.12.12
madrugada
a noite em branco,
desperta para a escuridão,
às claras, no pretume azulado,
tão cheio de sombras e memórias,
à luz de meu passado, esperando
o amanhã raiar.
6.12.12
feminimamente
Em busca de interlocução que me olhe como mulher.
Apagada, sem contornos de minhas curvas, na aspereza de minha maciez, bela voz afônica, esganiçando piscadelas úmidas, amor pra dar em braços de ferro, rendida em joelhos bambos, fértil em casca seca.
Aos que trouxerem cantil, encontrarão a flor do cactus e se hidratarão dos cortes dos espinhos em sangue vermelho paixão.
Oásis pra nós, em sois, estrelas e vulcão.
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