6.5.13

. pesar .


Acabou-se a leveza.

Ela estoura como uma bolha no ar 
e escorre espessa como uma gota de chuva
 mas que não pode vencer o ar seco.

A lágrima seca antes de cair 
e a saliva ausente para qualquer palavra. 
A garganta arranha
num ruído que impede o grito. 
Tudo em suspenso.

Talvez o nublado indique a chuva. 
Talvez lave a alma e indique a bonança. 
Talvez tudo se torne mais denso, mas vivo. 
A aridez desse deserto é uma fruta fora de época, 
de gosto amargo amarrando a boca.

Talvez se acorde do pesadelo que não deixa dormir. 
Talvez os barulhos dos pingos confortem 
como um dormir abraçado e protegido.  
Talvez a gente dance molhado 
como crianças sem medo do amanhã. 
Talvez...

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