3.10.13
comovida
. comovente soa terno e sereno
delicadeza quase contemplativa
mas comovente é também o que se move
talvez em emoções invisíveis é que sejamos tocados
mudando de estado e de espírito
e assim, quase sem ver, acontece nos comover .
27.9.13
encurvada
sonhos traçados foram borrados
perdi meu contorno
não sei por onde fazer o desvio
que direção seguir
para não desfacelar
onde encontrar sentido
além do que vem de dentro e dói tanto
27.8.13
19.8.13
em fases
o copo parece vazio, mas a lua está quase cheia.
de luz?
de sonhos?
de dragões?
de guerreiros?
forte para vencer batalhas?
forte para serenatas?
forte para brilhar?
intensa para vencer o ar gélido ao redor?
radiante para não se deixar encobrir?
límpida para não minguar no instante seguinte?
luminosa para acreditar que depois, apesar de tudo poderá crescer?
13.8.13
"agora mesmo pode estar por um segundo"
um segundo, um primeiro, números passando incessantes.
sempre tão em cima da hora.
sentindo falta de deixar o tempo correr mais frouxo.
pra não precisar correr tanto atrás
e chegar em ponto...
exclamativo e reticente, como gosto.
1.8.13
18.7.13
9.7.13
nem era uma vez
não me livro
da página em branco
o marcador está ali
sublinhando
não há palavras nem orações
que libertem da sentença:
exclamativo vazio
nem começa nem tem meios para chegar
em algum final feliz
inspiro soluços e expiro a solidão
ao menos a esperança é reticente...
3.7.13
SOLUÇ ã O
sal amargo escorre em meu rosto
densidade líquida
cheiro de naftalina e de sonhos
bolha que estoura caudalosa em estrondo no peito
27.6.13
volta e meia vamos lá
recu-operação:
voltar a dormir
voltar a respirar
voltar a olhar pra fora
recuo-peração:
voltar à página em branco
voltar a esperar
voltar.
voltar a dormir
voltar a respirar
voltar a olhar pra fora
recuo-peração:
voltar à página em branco
voltar a esperar
voltar.
21.6.13
10.6.13
4.6.13
amatemática
devolvam meus sonhos
os dividi tanto
não me sobrou nenhum
nem mesmo pra chorar a perda
devolvam meu choro
que o que está preso encarcera tudo
dessa vez dividam comigo
sem me sub-traírem no caminho
serei fiel à soma
serei mais do que estou
desconfigurada no encolhimento
e fora de minha própria geometria
24.5.13
16.5.13
falta de ar
respirando fundo pra tentar soprar a dor
pra ela ir embora ou pelo menos parar de arder
haverá ar suficiente?
(rumo a um inverno com árvores desfolhadas e pétalas caídas no chão)
11.5.13
.de existência.
de-existir
o outro dentro de mim
escolhendo caminhos
que meus passos vão ter que seguir...
6.5.13
. pesar .
Acabou-se a leveza.
Ela estoura como uma bolha no ar
e escorre espessa como uma gota de chuva
mas que não pode vencer o ar seco.
A lágrima seca antes de cair
e a saliva ausente para qualquer palavra. A garganta arranha
num ruído que impede o grito.
Tudo em suspenso.
Talvez o nublado indique a chuva.
Talvez lave a alma e indique a bonança. Talvez tudo se torne mais denso, mas vivo.
A aridez desse deserto é uma fruta fora de época,
de gosto amargo amarrando a boca.
Talvez se acorde do pesadelo que não deixa dormir.
Talvez os barulhos dos pingos confortem como um dormir abraçado e protegido.
Talvez a gente dance molhado
como crianças sem medo do amanhã.
como crianças sem medo do amanhã.
Talvez...
26.4.13
17.4.13
vice-versus
Queria me esparramar em todas minhas qualidades e defeitos e
mesmo assim caber no mundo.
Queria sair fora da casinha e encontrar meu doce lar.
Queria que o de dentro alcançasse as pessoas.
Às vezes tão inadequadra.
Desenquadrada.
Fora do foco.
Mas mesmo assim:
no ar...
Mas mesmo assim:
no ar...
22.3.13
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