27.9.13

encurvada


sonhos traçados foram borrados
perdi meu contorno
não sei por onde fazer o desvio

que direção seguir
para não desfacelar

onde encontrar sentido
além do que vem de dentro e dói tanto

27.8.13

letardia


letargia
que arde
que tarda
que leta
lateja

19.8.13

em fases


o copo parece vazio, mas a lua está quase cheia.
de luz?
de sonhos?
de dragões?
de guerreiros?

forte para vencer batalhas?
forte para serenatas?
forte para brilhar?

intensa para vencer o ar gélido ao redor?
radiante para não se deixar encobrir?
límpida para não minguar no instante seguinte?
luminosa para acreditar que depois, apesar de tudo poderá crescer?

13.8.13

"agora mesmo pode estar por um segundo"


um segundo, um primeiro, números passando incessantes.
sempre tão em cima da hora.

sentindo falta de deixar o tempo correr mais frouxo.

pra não precisar correr tanto atrás
e chegar em ponto...

exclamativo e reticente, como gosto.

1.8.13

origene


parte de si
e parte
seja mãe
seja pai
ou tantas partes

18.7.13

queda livre


liberdade ou precipício

desabada
mas sem chão

tantos passos
a seguir
e seguir...


9.7.13

nem era uma vez


não me livro
da página em branco

o marcador está ali
sublinhando

não há palavras nem orações
que libertem da sentença:

exclamativo vazio
nem começa nem tem meios para chegar
em algum final feliz

inspiro soluços e expiro a solidão
ao menos a esperança é reticente...

3.7.13

SOLUÇ ã O


sal amargo escorre em meu rosto
densidade líquida
cheiro de naftalina e de sonhos
bolha que estoura caudalosa em estrondo no peito

27.6.13

volta e meia vamos lá

recu-operação:
voltar a dormir
voltar a respirar
voltar a olhar pra fora

recuo-peração:
voltar à página em branco
voltar a esperar
voltar.

21.6.13

migalhos


que não florescem nem alimentam
o mal pela raiz
frutos?
e onde estarão se mentes?

10.6.13

afetividade felina


a mão que acarinha pelos
ou pelos que me aninham?

4.6.13

amatemática


devolvam meus sonhos

os dividi tanto
não me sobrou nenhum
nem mesmo pra chorar a perda

devolvam meu choro
que o que está preso encarcera tudo

dessa vez dividam comigo
sem me sub-traírem no caminho
serei fiel à soma

serei mais do que estou
desconfigurada no encolhimento
e fora de minha própria geometria

24.5.13

no mais, tudo menos


dessaldada de saudades
do que nem nunca

16.5.13

falta de ar


respirando fundo pra tentar soprar a dor
pra ela ir embora ou pelo menos parar de arder
haverá ar suficiente?

(rumo a um inverno com árvores desfolhadas e pétalas caídas no chão)

11.5.13

.de existência.


de-existir
o outro dentro de mim
escolhendo caminhos
que meus passos vão ter que seguir...

6.5.13

. pesar .


Acabou-se a leveza.

Ela estoura como uma bolha no ar 
e escorre espessa como uma gota de chuva
 mas que não pode vencer o ar seco.

A lágrima seca antes de cair 
e a saliva ausente para qualquer palavra. 
A garganta arranha
num ruído que impede o grito. 
Tudo em suspenso.

Talvez o nublado indique a chuva. 
Talvez lave a alma e indique a bonança. 
Talvez tudo se torne mais denso, mas vivo. 
A aridez desse deserto é uma fruta fora de época, 
de gosto amargo amarrando a boca.

Talvez se acorde do pesadelo que não deixa dormir. 
Talvez os barulhos dos pingos confortem 
como um dormir abraçado e protegido.  
Talvez a gente dance molhado 
como crianças sem medo do amanhã. 
Talvez...

26.4.13

atentada

não tiro mais do alvo
o arco fecha
na íris
de
cor

17.4.13

vice-versus


Queria me esparramar em todas minhas qualidades e defeitos e mesmo assim caber no mundo.
Queria sair fora da casinha e encontrar meu doce lar.
Queria que o de dentro alcançasse as pessoas.

Às vezes tão inadequadra.
Desenquadrada.
Fora do foco.

Mas mesmo assim:
no ar...

22.3.13

re-versos


aversão inversa em nova versão
atração republicada
em privado

15.3.13

outono precoce


dia cinza.
ao menos veio com o  frio
para o casaco poder me abraçar.