17.12.12
madrugada
a noite em branco,
desperta para a escuridão,
às claras, no pretume azulado,
tão cheio de sombras e memórias,
à luz de meu passado, esperando
o amanhã raiar.
6.12.12
feminimamente
Em busca de interlocução que me olhe como mulher.
Apagada, sem contornos de minhas curvas, na aspereza de minha maciez, bela voz afônica, esganiçando piscadelas úmidas, amor pra dar em braços de ferro, rendida em joelhos bambos, fértil em casca seca.
Aos que trouxerem cantil, encontrarão a flor do cactus e se hidratarão dos cortes dos espinhos em sangue vermelho paixão.
Oásis pra nós, em sois, estrelas e vulcão.
30.11.12
blue
você tão out of the
eu tão in
na vitrola ele gira
no céu ele vibra
em seus olhos pisca e serena.
26.11.12
14.11.12
gloss-ary
você chegando out of the blue,
me levando in the grey.
mas para out siders,
ainda existe outros tons.
# ra in bow feelings
11.11.12
7.11.12
vãos os anéis se os dedos não ficam
do que você abriu mão?
de não segurar a minha?
pra me deixar abanando?
ou pra acenar pra você?
tateio no escuro
e me estendo insegura...
vem?!
31.10.12
25.10.12
três anos
do passado pro futuro
vc veio sem presente
chegou quando eu luto
faltou nossa festa
nos acomodamos nas batalhas diárias
e assim encaixamos
sem laços de fita
só na mudança
o lar foi refúgio
sem muito doce ou amargo
tampouco pimenta
nem por isso sem sal
paixão que morreu atropelada
amor que nasceu machucado
feridas cicatrizadas
felinos domesticados
agora,
não é presente é hoje
já cheio de ontens
e eternos amanhas
três anos lado a lado
escalando aos montes
com todas as arestas
e curvas da estrada
desorientados no tempo e no espaço
cheios de bagagem e desbussolados
procurando nosso lugar ao sol
sob noites de luar
com sombra e água fresca
e céu estrelado
na vista:
horizontes cumpliçados em muitas novas trincas...
18.10.12
16.10.12
8.10.12
eu pro fundo
medo de confrontar a fundo
porque, neste fundo, nossa trajetória é solitária mesmo
mas fico à flor da pele de pensar assim
porque já me senti compreendida de dentro
talvez quando o dentro estava mais na superfície e mais fluído,
com olhos mais puros e menos viciados
gostaria de dar as mãos e sonhar junto
mas sonho com isso sozinha
e, cá pra nós, nós não há, só eu.
30.9.12
aurora
desperta dor
me toca
às 4:30
escuro e frio
que nada pode encobrir
feridas em carne viva
inerte
nem pesadelo nem sonho
insônia crua
em sons zumbidos
à espera dos novos pios de morcegos
24.9.12
estacionada
no inverno
o chamado pra hibernar
na primavera
esperança de florescer
no verão
para então raiar
no outono
e esperar que mude
esse tango-delay
da estação.
22.9.12
soslaiou
faltou com a palavra,
trouxe apenas aquela expressão.
não de sim mas de porém.
não preencheu, embargou,
a voz a saliva a mão.
do toque que acenou,
do olhar que fugiu,
do pulsar de vai e vem...
foi.
14.9.12
11.9.12
ligamento cruzado anterior
ser flexível,
manter-se em pé,
seguir em frente:
cansaço de tanto cabo de força pra me sustentar...
e de repente, um salto maior que a perna, tudo explode...
a insustentável leveza do ser...
rompeu-se.
quem serei eu após?
30.8.12
enlaços
ele, estranho o suficiente pra ser normal.
eu, em molduras pra não transbordar da casinha.
nós, como diría o poeta, para se ver (e viver e conviver) de perto (e aperto).
espremidos e exprimidos por cá…
dispersos, diversos em versos por lá e acolá...
22.8.12
20.8.12
era uma vez... e outra também...
em busca de novos roteiros pra minha vida...
pra seguir no bom e velho rumo da escrita...
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