27.3.14

confissões venosas


men-tiro
no alvo
negro coração

em macúmulos
de sepultadas doces lembranças
em-fartas derramadas

assim resta
entre nós
dor-mentes

20.3.14

spoon me de conchinha


Noite romântica
estouro
garrafa aberta
escorrendo
na taça

Spoon me

Meia-noite
lua crescente
taças sorvidas
lambidas
no pescoço

Fork me

Noite adentro
arranhão
pescoço marcado
lambidas
nas bocas

Dessert us

4.2.14

contagem progressiva

fazer,
pedir,
resolver,
fechar:

contas

dívidas
de vida
divididas

parcelas de trabalhos,
paixão,
e sonhos

busca da equação onde tudo caiba
todos se encaixem
e ainda sobre um cantinho só meu...

27.1.14

desfio da meada


enozada
buscando laços
entre embaraços


31.12.13

cada ano seu recreio


chega de balanço
de gangorra
gira-gira

deixa que os outros brinquem ao redor

tempo de voltar às origens

o melhor do pátio era o tanque de areia
surpresas em conchinhas
formigas
folhinhas
e infinitos castelos pra construir e povoar

pensamentos, sonhos, planos, faz de contas:

era uma vez 2014...

23.12.13

metas físicas


tempos de planos
todos em coordenadas ao redor

aqui, altos e baixos
curvas fora do eixo em diversas dimensões

pontos dispersos
linhas tortas
x, y, z

muitos lados possíveis
lado a, lado b, lado a lado, traçados alados

mas sempre com sonhos, sempre metas
busca de fórmulas e equações para resultar concreto, real, físico e mais além...

(como chocolate, pequena! e panetone! com goles de lágrimas, saliva e champagne!)

2.12.13

des pé ta la da


. pétala ante pétala a aridez se esvai
orvalhando lágrimas que escorrem ao pé do talo

se farfalham ao pétalo do ouvido
sussurrando novos horizontes

invade então o aroma que inebria
fazendo trocar pétalas pelas mãos

assim espalham despedaços que florescem
perfumando à pétala da letra .

28.11.13

data vespeira de mel


ansiedade como se fosse hoje
criança com pacote nas mãos
o laço não faz anúncios
mas pode trazer presentes
o que mais quero

muito passado no colo
e futuro na garganta entalando
é preciso engoli-lo
pois ele não foi nem será

respirar tranquila e sonhar no agora
com o presente aberto, seja o que for...

14.11.13

re (ru) mando


tanta vida pela frente que ficou pra trás
dividida em direções possíveis
em meio ao meio e em busca de meios
de chegar lá, ou ainda adiante...

6.11.13

. ^-^ . ^-^ . ^-^ . ^-^ .


(h)a pelos e miados por toda parte.

mas nos cantos se encontram ronrons.

3.10.13

comovida


. comovente soa terno e sereno
delicadeza quase contemplativa

mas comovente é também o que se move

talvez em emoções invisíveis é que sejamos tocados
mudando de estado e de espírito
e assim, quase sem ver, acontece nos comover .

27.9.13

encurvada


sonhos traçados foram borrados
perdi meu contorno
não sei por onde fazer o desvio

que direção seguir
para não desfacelar

onde encontrar sentido
além do que vem de dentro e dói tanto

27.8.13

letardia


letargia
que arde
que tarda
que leta
lateja

19.8.13

em fases


o copo parece vazio, mas a lua está quase cheia.
de luz?
de sonhos?
de dragões?
de guerreiros?

forte para vencer batalhas?
forte para serenatas?
forte para brilhar?

intensa para vencer o ar gélido ao redor?
radiante para não se deixar encobrir?
límpida para não minguar no instante seguinte?
luminosa para acreditar que depois, apesar de tudo poderá crescer?

13.8.13

"agora mesmo pode estar por um segundo"


um segundo, um primeiro, números passando incessantes.
sempre tão em cima da hora.

sentindo falta de deixar o tempo correr mais frouxo.

pra não precisar correr tanto atrás
e chegar em ponto...

exclamativo e reticente, como gosto.

1.8.13

origene


parte de si
e parte
seja mãe
seja pai
ou tantas partes

18.7.13

queda livre


liberdade ou precipício

desabada
mas sem chão

tantos passos
a seguir
e seguir...


9.7.13

nem era uma vez


não me livro
da página em branco

o marcador está ali
sublinhando

não há palavras nem orações
que libertem da sentença:

exclamativo vazio
nem começa nem tem meios para chegar
em algum final feliz

inspiro soluços e expiro a solidão
ao menos a esperança é reticente...

3.7.13

SOLUÇ ã O


sal amargo escorre em meu rosto
densidade líquida
cheiro de naftalina e de sonhos
bolha que estoura caudalosa em estrondo no peito

27.6.13

volta e meia vamos lá

recu-operação:
voltar a dormir
voltar a respirar
voltar a olhar pra fora

recuo-peração:
voltar à página em branco
voltar a esperar
voltar.