20.2.26

Leituras da cama

   A leitura tem que ser cada vez uma atividade mais apaixonada, mais aguerrida, mais física... As tentações se multiplicam, são muitos os "outros" que nos tentam desviar... O celular é o amante que se aplica mais, com tantos aplicativos sedutores...

    E o excesso de tantas informações, sons, palavras, deixam pouco espaço para as letras, o balé que fazem em nossos olhos e mentes...

    Nos últimos tempos, além da leitura inabalável dos livros infantis todas as noites, o resto do fôlego tem ficado com as leituras teóricas, dos aprendizados em transições de carreira...

    Ou nas férias...

E nas últimas, curiosamente, o amor e o erotismo me rondaram, as cenas que levei pra cama foram primeiro d'A escola da carne, do escritor japonês Yukio Mishima, um romance erótico entre uma mulher de meia idade e um jovem michê... Intrigante, não sei se pela especificidade cultural ou se pela construção das personagens...

    

Personagens realmente surpreendentes ficaram a cardo d'A vegetariana, de Han Kang... Exótica, original e por isso tão envolvente... 


A seguir veio
Fogo alto, de amigo fantasiado em codinome de Paula Merkel, história mais explícita, leitura cadenciada e ágil, cheia de tentações... Mas me fez pensar que defeitos e estranhezas também são importantes para atrair... Senti falta de imperfeições...

    Me lembrei de uma passagem de Ensaios de amor de Alain de Botton, quando ele fala sobre o espaçamento entre dentes poder ser sexy e isso pra mim fazer sentindo, inclusive pensando na diva da época Madona...

    Enfim...

    Pra completar finalmente conclui depois de muito tempo: Tudo sobre o amor de bel hooks, aí em reflexões mais sérias e políticas sobre o tema, me deixando no limiar entre as reflexões intimistas, repensar minha visão de mundo e também retomar os estudos...
    Aliás, carnaval passou, hora do ano começar, e que venham as leituras densas pra tirar (ou levar de vez) qualquer um da cama!!

16.2.26

O céu da língua

 O céu por onde balbuciamos,

por onde nos caem notícias cadentes,

brilham lembranças,

chovem cotidianos,

estrela poesia.

É a língua que nos circunda, que nos revela, que nos expressa.

.  

Um espetáculo que pode ser visto por seus lugares comuns, mas que talvez até por isso já poucos se debrucem sobre eles:

Nos ensurdecemos e nos calamos com o cotidiano e por isso é tão bonito ver a arte nos resensibilizar... Poder nos encantar pelo aprendizado dos filhos pelas palavras, a origem antropológica delas, os entrelaçamentos poéticos das comunicações que fazemos... E não necessariamente articulado pois Gregorio nos dá espaço para onomatopeias e pontuações.

Dá pra sair interrogativo, mas, no geral, sai-se exclamado.

A língua tão terrena se desenrola e ganha alturas.

Viva o céu inspirador.

14.1.26

amárido

deságua

à margem

estima:

estiagem